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Monday, August 03, 2009

Atitude Inesperada


Pessoas que tem o mesmo sangue correndo nas veias deveriam, supostamente, ter uma relação amigável e saudável. Eu falei SUPOSTAMENTE.

Desde pequena meu relacionamento com meu pai nunca foi dos melhores. Não sei se por tudo o que aconteceu. Talvez pelo fato de ter saido de casa antes mesmo de eu completar 3 anos e, inconcientemente, eu nunca ter aceitado isso. Ou talvez por sermos muito parecidos e eu reconhecer nele todos os meus defeitos e odiar cada um deles. Ou ainda talvez por, apesar de muito parecidos, sermos bastante diferentes.

Desde sempre ele foi, e ainda é, um homem muito ligado aos estudos e eu, quando criança e adolescente, tinha problemas com isso. Não era muito ligada a escola. Não gostava muito de estudar.
As cobranças sempre foram muito grandes. Sempre foi muito exigente comigo.
Ele também é uma pessoa muito fria. Não sabe demonstrar sentimentos, não é nenhum pouco afetivo ou carinhoso. Eu tenho um pouco dessas características também e isso me incomoda profundamente.
Toda e qualquer coisa que eu fizesse nunca era boa o suficiente. Eu sempre ouvia "poderia ter sido melhor" ou " não fez mais do que sua obrigação".

Isso me frustrava tanto... porque eu me esforçava, conseguia atingir a meta que ele queria e não ouvia NUNCA um mínimo elogio.
Ele nunca soube dizer nada agradável. Sempre eram reclamações e críticas e isso foi me afastando dele cada vez mais.

O tempo passou e ele descobriu algo sobre mim que, até então, não sabia. A decepção foi grande. Como ele ía explicar para as pessoas que ele tinha uma filha daquele jeito? Uma filha que gostava de coisas que íam contra os valores morais da sociedade cruel em que vivemos?
Isso foi motivo de muitas brigas. Litros e mais litros de lágrimas foram derramados por mim. Inúmeras foram as vezes que declarei pública e explicitamente meu "ódio" por ele.

Mudei de país e, ao contrário do que muita gente diz sobre a distância e o tempo afastarem as pessoas, as coisas começaram a mudar.
Ele percebeu que sendo dona do meu próprio nariz eu estava me afastando cada vez mais e ele achou que um dia acabaria me "perdendo". Não precisava mais dele para nada. Resolvia minhas coisas sozinha, era responsável pelos meus atos e passos.
Ele resolveu dar uma chance e tentar aceitar aquilo que antes era inaceitável. Desde então tudo foi ficando tão diferente... tão menos agressivo... E o sentimento de insegurança em relação a ele foi desaparecendo aos poucos. Depois um longo período posso dizer que, hoje, tudo é bastante diferente. E hoje tive a prova definitiva.

Como todos sabem, venho passando por momentos difíceis. Estou sempre escrevendo sobre isso aqui. Quando minha mãe ficou sabendo, me pediu que não contasse a ele, pois não sabia se era uma boa idéia. Mas algo dentro de mim dizia que eu deveria contar.
Mandei um e-mail, contei tudo e pedi ajuda caso as coisas não fiquem bem.
Perguntei quais seriam as chances reais dele me ajudar a ir para outro país fazer um curso onde, ao terminar, eu possa conseguir um emprego na área.

Confesso que eu estava esperando por uma resposta agressiva, seca e que fosse me machucar.
Me enganei redondamente!
Ao contrário do que eu estava esperando ele disse que não iria me julgar porque as pessoas tem conciência do que fazem de certo ou errado. Que eu não deveria agir impulsivamente para não correr o risco de me arrepender depois. Disse que estava muito triste pelo que estava acontecendo mas ao mesmo tempo feliz por eu ter contado, pois eu estava provando que confiava nele. Por fim disse que achava que poderia me ajudar e que faria o que fosse possível para isso.

Quando lí, não acreditei que aquele e-mail havia sido enviado por ele. Lí novamente e comecei a chorar.
Foi a primeira vez que abri meu coração para ele em 26 anos, num momento muito importante da minha vida. Talvez o mais importante e difícil. E foi a primeira vez também que ele escutou, se dispôs a me ajudar e não me bombardeou com um milhão de críticas.
Eu, sinceramente, não esperava por isso.
Sinto-me mais tranquila por saber que se algo acontecer, não vou estar sozinha e vou ter ajuda de quem jamais me deixaria na mão.

Muito obrigada!!!

-video do dia-

2 comments:

Um blog normal said...

Nossa que lindo Mila! No meio de uma situação delicada assim, é bom saber que temos o apoio de pessoas que significam tanto pra gente! Quem conhece a historia da ostra sabe q ostra q não foi ferida não produz pérola. E assim é a vida tambem, são nesses momentos dificeis que produzimos nossas perolas.

priscila toller said...

OLHA MILA, EU SEI COMO É DIFICIL ESSAS COISAS,PORÉM FAMILIA NUNCA VAI DEIXAR AGENTE NA MÃO,INDEPENDENTE DA SITUAÇÃO, FAMILIA É FAMILIA ,NUNCA NOS DEIXAM NA MÃO. BEIJOS E BOA SORTE POR AI

Monday, August 03, 2009

Atitude Inesperada


Pessoas que tem o mesmo sangue correndo nas veias deveriam, supostamente, ter uma relação amigável e saudável. Eu falei SUPOSTAMENTE.

Desde pequena meu relacionamento com meu pai nunca foi dos melhores. Não sei se por tudo o que aconteceu. Talvez pelo fato de ter saido de casa antes mesmo de eu completar 3 anos e, inconcientemente, eu nunca ter aceitado isso. Ou talvez por sermos muito parecidos e eu reconhecer nele todos os meus defeitos e odiar cada um deles. Ou ainda talvez por, apesar de muito parecidos, sermos bastante diferentes.

Desde sempre ele foi, e ainda é, um homem muito ligado aos estudos e eu, quando criança e adolescente, tinha problemas com isso. Não era muito ligada a escola. Não gostava muito de estudar.
As cobranças sempre foram muito grandes. Sempre foi muito exigente comigo.
Ele também é uma pessoa muito fria. Não sabe demonstrar sentimentos, não é nenhum pouco afetivo ou carinhoso. Eu tenho um pouco dessas características também e isso me incomoda profundamente.
Toda e qualquer coisa que eu fizesse nunca era boa o suficiente. Eu sempre ouvia "poderia ter sido melhor" ou " não fez mais do que sua obrigação".

Isso me frustrava tanto... porque eu me esforçava, conseguia atingir a meta que ele queria e não ouvia NUNCA um mínimo elogio.
Ele nunca soube dizer nada agradável. Sempre eram reclamações e críticas e isso foi me afastando dele cada vez mais.

O tempo passou e ele descobriu algo sobre mim que, até então, não sabia. A decepção foi grande. Como ele ía explicar para as pessoas que ele tinha uma filha daquele jeito? Uma filha que gostava de coisas que íam contra os valores morais da sociedade cruel em que vivemos?
Isso foi motivo de muitas brigas. Litros e mais litros de lágrimas foram derramados por mim. Inúmeras foram as vezes que declarei pública e explicitamente meu "ódio" por ele.

Mudei de país e, ao contrário do que muita gente diz sobre a distância e o tempo afastarem as pessoas, as coisas começaram a mudar.
Ele percebeu que sendo dona do meu próprio nariz eu estava me afastando cada vez mais e ele achou que um dia acabaria me "perdendo". Não precisava mais dele para nada. Resolvia minhas coisas sozinha, era responsável pelos meus atos e passos.
Ele resolveu dar uma chance e tentar aceitar aquilo que antes era inaceitável. Desde então tudo foi ficando tão diferente... tão menos agressivo... E o sentimento de insegurança em relação a ele foi desaparecendo aos poucos. Depois um longo período posso dizer que, hoje, tudo é bastante diferente. E hoje tive a prova definitiva.

Como todos sabem, venho passando por momentos difíceis. Estou sempre escrevendo sobre isso aqui. Quando minha mãe ficou sabendo, me pediu que não contasse a ele, pois não sabia se era uma boa idéia. Mas algo dentro de mim dizia que eu deveria contar.
Mandei um e-mail, contei tudo e pedi ajuda caso as coisas não fiquem bem.
Perguntei quais seriam as chances reais dele me ajudar a ir para outro país fazer um curso onde, ao terminar, eu possa conseguir um emprego na área.

Confesso que eu estava esperando por uma resposta agressiva, seca e que fosse me machucar.
Me enganei redondamente!
Ao contrário do que eu estava esperando ele disse que não iria me julgar porque as pessoas tem conciência do que fazem de certo ou errado. Que eu não deveria agir impulsivamente para não correr o risco de me arrepender depois. Disse que estava muito triste pelo que estava acontecendo mas ao mesmo tempo feliz por eu ter contado, pois eu estava provando que confiava nele. Por fim disse que achava que poderia me ajudar e que faria o que fosse possível para isso.

Quando lí, não acreditei que aquele e-mail havia sido enviado por ele. Lí novamente e comecei a chorar.
Foi a primeira vez que abri meu coração para ele em 26 anos, num momento muito importante da minha vida. Talvez o mais importante e difícil. E foi a primeira vez também que ele escutou, se dispôs a me ajudar e não me bombardeou com um milhão de críticas.
Eu, sinceramente, não esperava por isso.
Sinto-me mais tranquila por saber que se algo acontecer, não vou estar sozinha e vou ter ajuda de quem jamais me deixaria na mão.

Muito obrigada!!!

-video do dia-

2 comments:

Um blog normal said...

Nossa que lindo Mila! No meio de uma situação delicada assim, é bom saber que temos o apoio de pessoas que significam tanto pra gente! Quem conhece a historia da ostra sabe q ostra q não foi ferida não produz pérola. E assim é a vida tambem, são nesses momentos dificeis que produzimos nossas perolas.

priscila toller said...

OLHA MILA, EU SEI COMO É DIFICIL ESSAS COISAS,PORÉM FAMILIA NUNCA VAI DEIXAR AGENTE NA MÃO,INDEPENDENTE DA SITUAÇÃO, FAMILIA É FAMILIA ,NUNCA NOS DEIXAM NA MÃO. BEIJOS E BOA SORTE POR AI